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FILHO DO CÉU

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


NOVA COLUNA DO NOSSO BLOG - "FILHO DO CÉU"

A partir de hoje, todas as quintas-feiras publicaremos em nosso blog sábias e felizes palavras do Padre Fábio de Melo, no espaço intitulado "FILHO DO CÉU".
BIOGRAFIA
Fábio José de Melo Silva, mais conhecido como Padre Fábio de Melo,
Padre

Fábio de Melo, SCJ

da Igreja Católica
Nome de Batismo Fábio José de Melo Silva
Nascido em 3 de abril de 1971
Ordenado
sacerdote
15 de dezembro de 2001
Cargo Missionário
Padres católicos · Todas as dioceses
Projeto Catolicismo · uso desta caixa
Padre Fábio de Melo
Informação geral
Nome completo Fábio José de Melo Silva
Nascimento 3 de abril de 1971 (40 anos)
Origem Formiga
País Brasil
Gêneros Música católica, Religioso
Instrumentos vocal
violão
Período em atividade 1997 - atual
Gravadora(s) Som Livre, Canção Nova, Paulinas e LGK Music
Página oficial Padre Fábio de Melo
SCJ (Formiga, MG, 3 de abril de 1971) é um sacerdote católico, artista, escritor, professor universitário e apresentador brasileiro, pertencente originalmente à Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus. Atua na Diocese de Taubaté no interior do Estado de São Paulo. Como cantor, gravou oito discos pela gravadora católica Paulinas-COMEP, um pela gravadora Canção Nova, um projeto independente (Tom de Minas). Seu primeiro disco por uma gravadora secular, Vida, foi lançado pela LGK Music e pela Som Livre, com quem continua gravando, já tendo lançado mais dois discos (Iluminar e Eu e o tempo - CD e DVD) até o fim do ano de 2009. Ao todo, Fábio de Melo já vendeu mais de 2 milhões de cópias de CDs (1,8 milhão apenas na Som Livre), além de 500 mil livros. Como professor universitário, lecionou teologia na Faculdade Dehoniana de Taubaté. Atualmente apresenta o programa Direção Espiritual transmitido pela TV Canção Nova todas as quartas-feiras às 22h, com reprises aos sàbados às 20h e na madrugada de segunda 1h da manhã.

Índice

Biografia

Padre Fábio José de Melo Silva nasceu na cidade de Formiga (Minas Gerais), no dia 3 de abril de 1971. Tornou-se nacionalmente conhecido por seu trabalho como comunicador: sua obra compõe-se de 6 livros publicados e também de 11 CDs que, juntos, venderam mais de 1,8 milhão de unidades. Mestre em antropologia teológica, foi ordenado em 2001 e atua na diocese de Taubaté, interior de São Paulo. Ele é o caçula dos oito filhos do pedreiro Dorinato Bias Silva e da dona-de-casa Ana Maria de Melo Silva.

O sacerdócio

Após 18 anos de formação e estudos em seminários, no dia 15 de Dezembro de 2001, em sua cidade natal, na Igreja Matriz de São Vicente Ferrer, foi ordenado sacerdote pela oração consecratória da Igreja e imposição das mãos do Arcebispo Metropolitano de Palmas, Tocantins, Dom Alberto Taveira Corrêa.
O padre Maurício Leão teve grande influência na sua vida de seminarista, levando-o para o seminário de Lavras. Em sua vida sacerdotal, tem como referência os padres Zezinho, Joãozinho e Léo Tarcísio.
Padre Fábio de Melo fez o primeiro grau na Escola Estadual Abílio Machado, em Formiga (MG), e o segundo grau no colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Lavras (MG). Formou-se em Teologia na Faculdade Dehoniana de Taubaté, com diploma emitido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, e em Filosofia na Fundação Educacional de Brusque, em Santa Catarina.
Fez pós-graduação em educação no Rio de Janeiro e mestrado em Belo Horizonte, junto aos jesuítas, no Instituto Santo Inácio – ISI (FAJE: Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia).
Em seguida, retornou a Taubaté, para lecionar na área de Teologia Fundamental e Sistemática, na mesma faculdade em que havia se formado.

A poesia e a música

Tendo como referencial o Padre Zezinho, scj, precursor dos padres cantores desde a década de 1960, padre Fábio de Melo lançou seu primeiro CD, em 1997, com o título "De Deus um cantador".
Em seguida "Saudades do Céu", com a participação de diversos artistas católicos, reunindo os cantores de sua congregação, como padre Zezinho e padre Joãozinho, incluídos no CD "Canta coração", um tributo ao Sagrado Coração de Jesus.
Ao receber a ordenação diaconal, compõe "As estações da vida", que viria a ser a música de abertura de suas apresentações ao vivo, especialmente depois do lançamento do DVD Eu e o Tempo.
Já ordenado padre, em 2003, traz ao mercado o seu mais novo trabalho, "Marcas do eterno".
No ano de 2004, envereda por um projeto independente, o disco "Tom de Minas", de conteúdo autoral, que homenageia nomes e lugares de seu estado natal: Minas Gerais, contando com a participação do cantor e compositor popular Paulinho Pedra Azul, do qual resulta um show na capital, Belo Horizonte, com o nome "Minas e Outros Tons". Reportagem;
O retorno aos temas ligados a sua formação, fazem parte do CD Humano Demais em 2005, que contém canções de sua autoria e de outros compositores da música católica.
Em 2006, celebrando seus 10 anos de atuação na música católica, decide-se por um trabalho que inclui além de algumas de suas composições, diversas conhecidas canções "sertanjeas", numa homenagem a suas origens e a seu pai, que também cantava e tocava viola caipira.
O CD de 2007, Filho do Céu, primeiro fora das Paulinas e agora pela Canção Nova, fala de vivencias pessoais e daqueles que se foram, como o Padre Léo Tarcisio, seu formador, durante o seminário e grande amigo e do cantor e compositor Robson Jr., dos Cantores de Deus e seu melhor amigo, ambos mortos na mesma época, vítimas de câncer. Lançado no mesmo ano, o CD Enredos do Meu Povo Simples retoma a ideia já experimentada em "Zé Da Silva", com canções sertanejas, apresentando as que ficaram fora do outro projeto.
No ano de 2008 o padre Fábio de Melo lançou seu primeiro CD pela gravadora Som Livre - "Vida" - trabalho que o tornou conhecido nacionalmente, através das diversas participações em programas na TV aberta. Dando continuidade ao seu trabalho de evangelização através dos meios de comunicação social lançou em 2009 o CD "Iluminar" e pouco tempo depois "Eu e o Tempo".

Discografia

Álbuns de inéditas

Álbuns ao Vivo

DVDs

Coletâneas

Projetos Paralelos

  • 2007
    • Enredados ao Vivo Vol. 1 - Enredados Brasil (Adriana, Ziza Fernandes, Pe. Fábio de Melo, Dunga, Martin Valverde e Migueli) (Solo Sagrado Produções e Eventos)
    • Enredados ao Vivo Vol. 2 - Enredados Brasil (Solo Sagrado Produções e Eventos)
    • DVD Enredados ao Vivo - Enredados Brasil (Solo Sagrado Produções e Eventos)

Participações em CD

Participações em DVD

  • 2007
    • - Adriana Ao Vivo - Adriana - (faixa 12 - "Humano Amor de Deus");
  • 2010
    • - Raízes ao Vivo - Daniel - (faixa 11 - "Só o amor");
    • - Roupa Nova - 30 anos - Roupa Nova - (faixa 11 - "A Paz");
  • 2011
    • Em Santidade - (Ministério Adoração e Vida) - ( Faixa 9 - "A esperança chegando" )

Livros

  • 2006 - Tempo: saudades e esquecimentos - Paulinas-COMEP - ISBN 853560989X
  • 2007 - Amigo: somos muitos, mesmo sendo dois - Editora Gente - ISBN 978-85-7312-584-9
  • 2008 - Quem Me Roubou de Mim? - Canção Nova - ISBN 97-885-7677098-5
  • 2008 - Mulheres de aço e de flores - Gente - ISBN 97-885-7312610-5
  • 2008 - Quando o sofrimento bate a sua porta - Canção Nova - ISBN 97-885-7677122-7
  • 2009 - Cartas entre Amigos - sobre medos contemporaneos, com Gabriel Chalita - Ediouro - ISBN 97-885-6030302-1
  • 2009 - Mulheres Cheias de Graça - Ediouro - ISBN 9788500330223
  • 2010 - Cartas entre Amigos - sobre ganhar e perder, com Gabriel Chalita - [Editora Globo] - ISBN 8525048402
  • 2011 - " O verso e a cena - [Editora globo]
  • 2011 - Tempo de Esperas - Editora Planeta

Prêmios

  • 2009 -
    • I Troféu Louvemos o Senhor:
      • Melhor Interprete Masculino de 2008
      • Destaque do Ano de 2008
  • 2010 -
  • II Troféu Louvemos o Senhor:
    • Melhor Interprete Masculino de 2009
    • Destaque do Ano de 2009
    • Melhor Compositor de 2009
    • Melhor Música de 2009 Para Santa Missa por "Incendeia minha alma" - Compositores: Rogério e Júlio Cesar
    • Melhor Música do Ano por "Tudo é do Pai" - Compositor: Frederico Cruz
    fonte: Wikipédia

 

FILHO DO CÉU

Profetas no meio da Juventude - Pregação no PHN 2012

Profetas no meio da juventude

Hoje, queremos pedir ao Senhor que Sua Palavra seja como uma lança em nosso coração, e que elas possam produzir os frutos que precisamos.

Estou muito feliz de estar, pela primeira vez, no PHN! Convido você a abrir a Sagrada Escritura, na Carta de São Paulo a Timóteo (2 Tm 2,1-13). Esta é escrita de um amigo para outro; porque São Paulo ama Timóteo, ele diz algumas palavras para que este seja santo, feliz. É isto que queremos fazer agora. Coloco-me como São Paulo e convido você a se colocar no papel de Timóteo.

Afirma a carta:

“Então, meu filho, fortalece-te na graça do Cristo Jesus. O que ouviste de mim na presença de numerosas testemunhas, transmite-o a pessoas de confiança, que sejam capazes de ensinar a outros. Como bom soldado do Cristo Jesus, assume a tua parte de sofrimento. Ninguém que esteja engajado no serviço das armas se embaraça nos negócios da vida civil, se deseja agradar a quem o alistou. Igualmente o atleta, na luta esportiva, só recebe a coroa, se lutar segundo as regras. O agricultor, que enfrenta o trabalho duro, deve ser o primeiro a participar dos frutos. Entende bem o que estou dizendo.”

Continua São Paulo:“Aliás, o Senhor te fará entender tudo isso. Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho. Por ele, eu tenho sofrido até ser acorrentado como um malfeitor. Mas a palavra de Deus não está acorrentada. Portanto, é por isto que tudo suporto, por causa dos eleitos, para que eles também alcancem a salvação que está no Cristo Jesus com a glória eterna. É digna de fé esta palavra: Se já morremos com ele, também com ele viveremos; se resistimos com ele, também com ele reinaremos; se o negarmos, ele também nos negará, se lhe somos infiéis, ele, no entanto, permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.”

O verdadeiro amigo é aquele que olha para o outro e nunca o nivela por baixo. É capaz de olhar dentro do nosso coração e enxergar um jardim que estava obstruído pelas ervas daninhas. Só quem é amigo verdadeiro consegue ver o santo que há no outro, mesmo que este esteja caído, apedrejado pelo pecado; como Jesus fez com Maria Madalena.


A palavra de quem nos ama, muitas vezes, vai nos ferir, mas também nos fará crescer. Semelhante àquele que pratica musculação, porque precisa “ferir” o músculo a partir da disciplina certa, do esforço certo, a fim de que ele cresça. A palavra de quem nos ama vai nos ferir por dentro para provocar em nós o desejo de sair de nossa zona de conforto. O homem forte já existe em nós, mas ele precisa ser “ferido” para que cresça.

Você, hoje, precisa descobrir este homem forte, para que consiga ver os jardins que há dentro de você.

Nosso trabalho, como evangelizadores, é mostrar ao mundo uma postura diferente a partir de Jesus. Foi isso que São Paulo disse a Timóteo. Enquanto o mundo quer nos apresentar algumas soluções fáceis, a Palavra de Deus vem nos apresentar uma vida real, que requer esforço, e, principalmente, a graça do Senhor para nosso caminhar rumo à felicidade. Quais são as razões que o privam de ser “feridos” pelo Senhor? O que tem sido, em sua vida, empecilho para a graça de Deus?

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O mundo nos trata como objeto. Muitos têm sido privado da felicidade por causa da prostituição social, das drogas, do álcool. Não se engane, porque o diabo nos tenta a partir de pequenas concessões. Quando menos esperamos, estamos vivendo escravos do prazer temporário e privados de nossa liberdade. Meus irmãos, não se enganem; a felicidade que o Senhor nos propõe se faz por meio do sofrimento, porém ela é verdadeira, real, concreta. São Paulo sabia que Timóteo era jovem e ofereceu a ele a disciplina como meio de alcançar a vitória.

Estamos às vésperas das Olimpíadas. Vamos ver muitos no pódio, porém, para chegar lá o atleta sabe que precisa de vitórias diárias, deve reconhecer seus limites com humildade e esforçar-se. Se você se empenha em buscar coisas boas, colherá coisas boas, mas se se esforçar para alcançar coisas ruins, colherá coisas ruins. O desafio de São Paulo a Timóteo é um convite ao testemunho. Ele deseja que seu discípulo vá anunciar, pelo mundo, a felicidade longe da escravidão do pecado. Aquele que deixa seus vícios, que aprende o segredo da felicidade, imediatamente é chamado a anunciar aos seus amigos a Boa Nova.

Se você veio ao PHN, é porque alguém o influenciou, apresentando-lhe este lugar. A influência é o lugar que Deus age, mas o inimigo também. Pergunto a você: "Quem, realmente, está tendo influência sobre você? Quem move os seus sentimentos? Atrás de quem você anda? Quem você escuta?". São Paulo diz a Timóteo: “Aliás, o Senhor te fará entender tudo isso. Lembra-te de que Jesus Cristo”. Quem é discípulo de Cristo se lembra sempre d'Ele, por isso é livre, não se prostitui socialmente, não vive escravizado nas drogas e no álcool, mas assume que é um projeto vitorioso nas mãos do Senhor.

Portanto, meus irmãos, depois que jogamos fora todas as ervas daninhas que há em nós, após realmente assumirmos que, no Senhor, está o caminho da nossa felicidade, mas, por ventura, alguém quiser roubar novamente nosso caminho, é preciso que tenhamos a coragem de “ascender as luzes”, que investiguemos, novamente, em cada local, nossa história. Para Timóteo foi muito bom ter recebido a carta de São Paulo, pois esta foi, na vida dele, um instrumento de coragem, porque ninguém é “forte” sozinho. Tenha a ousadia de ser um amigo que leve o outro para o céu.

Coragem! Caminhe na luz, pois ninguém é feliz na escuridão. Deus o ama. Você não está só; Ele cuida de você e, hoje, lhe diz: "Coragem. Que a força do Altíssimo seja derramada em você". Ele o espera, jovem, para que seja profeta, testemunha do céu entre seus amigos. Assuma a força do céu que há em você!

Deus o ama. Você não está só. Ele cuida de você e lhe diz: Coragem!

Transcrição e adaptação: Ricardo Gaiotti
fonte: http://amigofabiodemelo.blogspot.com.br/search?updated-min=2012-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2013-01-01T00:00:00-02:00&max-results=15

FILHO DO CÉU

FILHO DO CÉU - Padre Fábio de Melo se emociona com um jovem

[Nesta semana que estamos recebendo os simbolos da JMJ em nossa paróquia, uma palestra especial sobre um jovem que emocionou o Padre Fábio de Melo em um evento na Canção Nova, confira o video e o texto]
Um Grito sem Som...
O Show já estava terminando. Minuto final. Eu já me despedia do povo. A placa de finalização já tinha sido levantada e a transmissão ao vivo precisava ser encerrada. Era o final do Hosana Brasil, o maior evento da Canção Nova.
E foi então, que no meio da multidão alguém se destacou. Alguém que chorava dominado pela emoção que eu desconhecia a razão. Prestei atenção. Um fração de segundos. E foi então que pude ouvir de seus lábios: "Padre Fábio, eu te amo. Você salvou minha vida!"
Não, não havia som naquelas palavras. O que havia era o grito da vida sussurrado no meio do grito da multidão.
Um rapaz desconhecido, rosto perdido na multiplicidade de rostos. Plural que ficou singular, pela força de olhares que se encontraram, por acaso.
Eu pensei que já sabia a razão do meu Hosana, mas não. A minha razão seria revelada, somente ao final de tudo. Eu que pensei que já levara comigo as causas de meus louvores, de repente, ali, fui surpreendido pela voz de Deus nos lábios silenciosos daquele moço.
Logo em seguida eu soube a razão da emoção. O rapaz era alcoolatra e o entrou em processo de recuperação depois que uma palavra pronunciada por mim o atingiu, há algum tempo atrás.Ele veio de Foz do Iguaçú e trouxe sua família para celebrarem juntos esta graça. Olhei seus filhos e esposa e agradeci a Deus pelo bem acontecido.
Salvar a vida de alguém é um jeito bonito que a gente tem de salvar a vida da gente. Eu não posso negar que fiquei mais padre a partir daquela frase.
Eu tomei posse, mais uma vez, da responsabilidade de ser portador da palavra redentora, da palavra que quebra as cadeias das escravidões.
O Hosana não terminou em mim. Ele continua ressoando. E enquanto eu viver, quero a graça de me recordar daquele acontecimento. A multidão, o refrão entoado por todos, e no meio de tudo isso a frase sem som, o discurso do silêncio, a vida e seu poder de dizer muito em um curto espaço de tempo.
Ao longo deste ano eu escutei muitas coisas que me fizeram crescer, mas nada pode ser comparado ao que Deus fez em mim através daquele rapaz. Eu tenho vivido muitas graças de poder ouvir frases semelhantes, mas aquele momento foi por Deus preparardo, eu sei disso.
Peço licença a todos vocês para mandar a ele o meu recado simples, mas cheio de gratidão e carinho...

Meu amigo, você que passou pela minha vida, de forma tão rápida e sincera...
você que eu não sei o nome...
obrigado por ter gritado no meu ouvido a razão do meu Hosana.
fabiodemelo.com.br - © 2003/2012

 

FILHO DO CEU


HOJE SEPARAMOS UMA COLETANEA COM 10 FRASES ESPECIAIS DITAS PELO PADRE FÁBIO DE MELO:

"Só dê ouvidos a quem te ama. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. O que te salva não é o que os outros andam achando, mas é o que Deus sabe a teu respeito"

"Devemos ser grato a Deus pelos pequenos detalhes. Nos detalhes descobrimos o valor de uma realidade. Olhar as miudezas da vida faz a diferença."

"Tem dias que eu não quero dizer nada. Quero apenas o direito de ficar calado sem ter que dizer o porquê de estar assim."

"Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo pode ser a resposta de muitas perguntas..."

"Você é quem decide o que vai ser eterno em você, no seu coração. Deus nos dá o dom de eternizar em nós o que vale a pena, e esquecer definitivamente aquilo que não vale... "

"O importante não é o que as pessoas acham de mim, e sim o que Deus sabe a meu respeito."

"A saudade eterniza a presença de quem se foi..."

"Deus não atende as nossas vontades e sim as nossas necessidades."

"Amar alguém é viver o exercício constante, de não querer fazer do outro o que a gente gostaria que ele fôsse. A experiência de amar e ser amado é acima de tudo a experiência do respeito."

"Quem me dera pudesse compreender os segredos e mistérios dessa vida, esse arranjo de chegadas e partidas; essa trama de pessoas que se encontram, se entrelaçam e misturadas ganham outra direção."

 

FILHO DO CEU


 

FILHO DO CEU

[ excepcionalmente esta semana iremos publicar o Espaço FILHO DO CÉU na quarta feira por conta da grande Festividade amanhã de Corpus Christi ]

Este é o início de uma nova viagem. É o movimento da vida. Meu ministério se desdobra em estradas desconhecidas. Bagagens pesadas que minhas mãos não podem carregar sozinhas. Olho para o lado, peço ajuda. Desconfio, acredito, aposto no que considero ser o melhor caminho. A solidão existe. Dispenso sem saber ao certo o motivo da dispensa. Deixo ir embora, não corro atrás, e porque não corro, desaprendo de correr...

Meu ofício é breve, muito breve, quase nada diante da história da Igreja que anuncia o Cristo a quem amo. Meu ofício é controverso. Eu não sepultei algumas de minhas vaidades para ser o que sou. Eu ainda continuo acreditando que a pior de todas as vaidades é a vaidade de não ter vaidades. É a raíz torta que gera a repulsa pelo mais fraco, pelo diferente, pelo que considero pior que eu. Esta eu não quero. Nariz empinado que não permite olhar para o lado. Recuso.

Meu ofício está na vitrine. Atiram pedra os que querem. Banalizam como podem. Manchetes imensas noticiando coisas pequenas, desnecessárias. Preferem evidenciar alguns detalhes de minha condição humana.

Padre galã... Frequenta academia? Já fez plástica? Lipoaspiração? É a favor da camisinha? Tem amigos homossexuais? As perguntas não dizem respeito ao que quero anunciar.

Meu ofício. Eu sou da Igreja. Não criei uma seita à minha imagem e semelhança. Sou padre católico, apostólico, romano, vivendo no Brasil. Minha tentativa é acertar o alvo da misericórdia. Desejo de mostrar que o Evangelho é para nos tornar melhores. Gestando fraternidade, tolerância com os diferentes, abraço carinhoso que nos recorda que precisamos uns dos outros, mesmo que não tenhamos as mesmas convicções religiosas. Evangelho como proposta de aproximação, ponte com a casa do vizinho, para que a gente possa trocar medidas de café, colheres de açúcar, sorrisos ofertados enquanto lavamos a calçada em dias de sol escaldante.

Meu ofício. Minha sina de ser vitimado pela reportagem qualquer, feita pelo repórter que não sabe absolutamente nada a meu respeito, e que na responsabilidade de dizer, disse qualquer palavra...

O jornal de hoje embrulhará o peixe de amanhã. Pronto. Só assim a gente consegue voltar a dormir. Um consolo me vem do céu. Meu ofício não termina no peixe enrolado. Ele não é notícia para ser esquecida. Meu ofício tem o seu fundamento no altar da Eucaristia, lá onde a memória de Jesus é celebrada. Lá onde o canceroso aprende a morrer e o sentido da saudade é ensinado. Gente que vai, gente que fica...

Meu ofício. Mão sobre a testa traça o santo sinal da cruz. O pecado perdoado nos recorda o poder terapêutico da palavra. Deus não desiste de nós. É tão lindo pensar assim. Melhor ainda é sentir. Eu imagino. Por trás da fórmula sacramental há sempre uma tentativa de dizer - "Meu filho, volte a se amar! A cama está pronta. Sua mãe deixou tudo do jeito que você prefere. Por que dormir na sarjeta?"

Meu ofício. Eu, padre! Só isso. Querendo o direito de cuidar das minhas olheiras sem que isso pareça um crime. Querendo cantar a palavra de Jesus com a mesma qualidade com que cantam os românticos do mundo suas desilusões desamorosas. Eu, padre. Filho da Canção Nova, filho das Paulinas, filho dos padres do Coração de Jesus...

Meu ofício. Minha oração rezada nas atitudes concretas de minha humanidade. Minha missa silenciosa, sem alardes, sem fotografias. Meus encontros. Sorrisos que me tocam. Pessoas envelhecidas que me devolvem juventude. Olhares que me transformam. Cartas que relatam a visita que receberam de Deus, pela força de meu ofício. Moço que me conta entre lágrimas que deixou as drogas depois de ter lido um livro que escrevi. Evangélica que me escreve emails dando conselhos que acolho como direção espiritual. Amor, zelo que chega pelos caminhos inusitados da virtualidade. Criança que fica com os olhinhos brilhando porque viram o padre da propaganda que aparece na TV. Time de futebol composto por um grupo de rapazes nada convencionais, e que o canal de TV especializado em esportes anuncia - Filho do céu. O reporter perguntou a razão do nome. A resposta veio direta - Por causa de um padre que a gente gosta!

Por tudo isso e muito mais, eu não desisto. É meu ofício.

Padre Fábio de Melo

Fonte: Site oficial do padre Fábio de Melo

 

FILHO DO CEU


O que da vida não se descreve...
Eu me recordo daquele dia. O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja. Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final. Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel. Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras. Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas. Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas. A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas. A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer. Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido. Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti? Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?

Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!"

Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora. Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto. O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis. Metafísica dos sabores? Pode ser...

O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia. O que posso falar sobre o que sinto? Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos? O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias?

Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação. É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento. Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície.

Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas.

Quero aprender a perguntar menos. Eu espero ansioso por este dia. Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei. Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve...

 

FILHO DO CÉU


Eu, quando visto pelo outro.
Quem sou eu? Eu vivo pra saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam.

O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.

Vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet, ou até mesmo um email que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou.

Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias que vivemos.

O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações.

Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.

Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.

Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.

Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado neste processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.

FILHO DO CÉU


[segunda carta do Livro Cartas Entre Amigos, sobre ganhar e perder ]

Meu querido Gabriel, Obrigado pelas palavras. Não é sempre que podemos receber uma fala tão sábia e sugestiva. Gosto de reconhecer nos discursos humanos as palavras geradoras. Em meio a tantas outras, elas saltam aos olhos, sugerem mais algumas, despertam o desejo de refletir, ir adiante.
Há discursos extensos que não nos presenteiam com palavra alguma. É a fala infértil, prolixa, redundante. Não agrega
absolutamente nada ao que somos, mas ao contrário é capaz de nos retirar a alegria e a disposição. Neste mundo em que vivemos, é muito comum nos depararmos com discursos assim. Mas há outros que são ricos de palavras geradoras. São construídos a partir de uma visão holística da realidade, capaz de abarcar inúmeros aspectos numa mesma trama de palavras. É o discurso que não abre mão da sensibilidade, que realiza a proeza de colocar na mesma pauta razão e emoção.
Meu amigo, sua carta é um celeiro de palavras geradoras.
Seu olhar sobre o mundo é profundo e respeitoso. A raiz de tudo isso é o amor que você tem pela humanidade. Não é possível refletir as questões fundamentais da comunidade humana sem
que por ela exista amor e respeito.

Só o amor nos autoriza uma aproximação dos calvários do mundo. Ele é o elemento que impede a banalização, pois resguarda, envolve e protege o sagrado que por trás da dor se esconde.
Vez em quando vejo o sofrimento humano sendo usado como mecanismo. É lamentável. É afrontoso. A lágrima da mãe que perdeu o filho num soterramento é usada para ganho de
audiência em programa de televisão. Não, não há comprometimento com o fato. O único desejo é aproveitar o acontecimento e transformá-lo em pauta para a manutenção de uma programação fútil. Não importa o quanto o outro sofre. O que importa é o quanto os índices de audiência subirão no momento em que a dor for exposta.
Gabriel, sua carta chegou num momento oportuno. Foi seguindo a trilha que suas palavras me sugeriram que pude adentrar o contexto de uma reflexão pertinente e necessária. A condição humana será sempre bem-vinda às nossas reflexões. Será sempre a base de uma boa prosa, afinal, toda vez que sobre ela refletimos, de alguma forma estamos alterando o que somos.
Antes de qualquer coisa, eu gostaria de salientar a satisfação que tenho de novamente estabelecer este vínculo. A carta é um mecanismo maravilhoso que nos proporciona a experiência do encontro.
Sua carta me fez recordar da ágora, a praça grega que foi lugar onde as experiências filosóficas ganharam caráter dialético. A ágora era um lugar de encontro. A principal atividade que os gregos exerciam por lá era a troca de mercadorias. Mas, naquele grande mercado a céu aberto, uma outra troca acontecia a ponto de prevalecer sobre as outras. Era a troca de ideias.
Enquanto a materialidade era negociada sempre sobrava espaço para uma conversa, uma troca de opiniões. Tive um grande professor de História da Filosofia que fazia questão de nos dizer que foi na ágora que a filosofia assumiu o seu verdadeiro papel na sociedade. A filosofia do cotidiano,
a reflexão nossa de cada dia. A arte de articular o pensamento como realidade dialética, que extrapola a verdade hermética, fechada, mas que se abre à percepção do outro.
A filosofia que é construída a partir da vida concreta das pessoas. A trama da existência e seus fios tão cheios de nuances. A filosofia como tear que tece e favorece a compreensão do
entrelaçamento das linhas.
Sua carta apresentou tantas questões que merecem ser refletidas. Fiquei assustado com a questão que envolve os albinos da Tanzânia. Eu desconhecia aquela tradição mórbida. É lamentável que nos dias de hoje ainda tenhamos que admitir tamanho absurdo. O fato nos leva a compreender que, em muitos lugares do mundo, o respeito ao ser humano ainda não aconteceu. Ele ainda está condicionado a fatores culturais. Está restrito, limitado.
Confesso que a desesperança é o caminho mais atraente. Ao me deparar com relatos como esse, minha primeira reação é desesperar. É bem mais simples. Chego à conclusão de que nossos braços são curtos demais para abraçarem o mundo. Podemos muito pouco diante de tanta dor, tanto sofrimento. Mas é no impulso dessa desesperança que eu me recordo que a Tanzânia também é aqui. Não preciso ir longe. Há realidades muito próximas de mim que também são desumanas. Mas há uma diferença. Aqui eu posso agir. Não há limites linguísticos, geográficos, nem tampouco culturais. Tenho diante dos meus olhos injustiças e sofrimentos que falam a minha língua. Não se trata de pessoas que estão distantes de mim, assim como estão distantes as estrelas. Não tenho delas apenas um tênue brilho de notícia. Elas estão concretamente posicionadas nas esquinas de minha cidade. Moram em casebres que meus olhos alcançam; frequentam os mesmos lugares que eu; trabalham na guarita do prédio onde moro.
Gabriel, só assim o mundo pode ser diferente. Só dessa forma podemos prestar socorro aos desvalidos do nosso tempo.
Há uma dor que mora ao lado. Há uma injustiça que é nutrida pelo mesmo ar que nos sustenta. É dela que precisamos nos ocupar. Se não temos como mudar a situação dos albinos africanos, resta-nos fazer justiça às injustiças que todos os dias batem à nossa porta.
Você falou de esperanças. Concordo com você. Só a esperança pode nos alimentar nessas ações. A esperança não nos deixa esmorecer. Ela nos posiciona diante da dureza da realidade humana de forma sempre nova. Gabriel, o mal não dá tréguas. Vejo as teias da maldade sendo lançadas sobre nós. É impressionante o número de pessoas que estão comprometidas com a disseminação do mal. Volto a dizer. O caminho mais fácil é desanimar. Mas não creio que seja o mais honesto. Precisamos buscar imunidade contra todos esses males. Caso contrário, nós
também desanimaremos.
Assim como a mãe vacina o filho para imunizá-lo contra uma infinidade de vírus, da mesma forma nós também precisamos ser vacinados contra a maldade que está presente no
mundo. A maldade é sedutora. Ninguém está livre dessa contaminação. Por isso precisamos tanto buscar essa resistência diária. É uma questão de sobrevivência.
A maldade é uma arma que permanece apontada. Há sempre uma pessoa que se dispõe a apertar o gatilho. Vez em quando somos terrivelmente atingidos por ela. É nessa hora que precisamos sobreviver. Tudo dependerá do quanto já estamos, ou não, imunes a seu poder agressor.
Meu amigo, eu busco essa imunidade nas palavras. É simples. Necessito de palavras assim como necessito de pão. É uma questão de sobrevivência. Tenho fome de pão, mas também tenho fome de palavras. Gosto muito da passagem bíblica que diz que “nem só de pão vive o homem”. É verdade. Há outras fomes que precisamos alimentar.
A fome do corpo é facilmente notada. Ela se manifesta de forma determinante, aparente. O corpo que carece de alimento manda os seus sinais. A exterioridade é o território das manifestações. Não é possível esconder por muito tempo a fome física.
Nos tempos idos de minha infância, a minha mãe tinha uma expressão interessante para diagnosticar a nossa fome. Ela nos falava. “Vai comer alguma coisa porque você está muito descaído!” Eu sempre obedecia. Tinha medo de ficar “descaído”. Talvez seja por isso que eu seja muito atento às fomes do corpo. Faço questão de favorecer a saúde através dessa pequena disciplina. Os especialistas salientam que é importante que o ser humano não passe períodos prolongados sem a ingestão de alguma forma de alimento. Essa atitude, segundo eles, acelera o
metabolismo do corpo. Metabolismos acelerados são importantes para a manutenção de uma vida saudável.
Creio que a mesma regra valha para a vida intelectual. Tão importante quanto alimentar o corpo é alimentar a alma. É claro que essa divisão “corpo e alma” é meramente didática. Creio na integralidade humana. Somos corpo e alma. É no corpo que a alma experimenta o mundo. É através da alma que o corpo transcende sua materialidade. Ao me referir à condição humana, eu não secciono, mas integro.
Uma boa reflexão acelera o metabolismo da alma. A palavra é o elemento fundamental para que isso aconteça. As imagens que vemos estão diretamente ligadas com as palavras que
conhecemos.
As palavras alimentam realidades menos visíveis. Entram na mente e se perdem nos místicos emaranhados da alma. Pão e palavra possuem missões semelhantes. O corpo metaboliza o pão. Dele faz fonte de energia. Da mesma forma, a alma faz com a palavra.
Meu amigo, como é instigante esse processo. Nós nos transformamos no que comemos. O alimento é integrado pelo corpo.
É por isso que insisto tanto na necessidade de sermos mais cuidadosos com a escolha dos nossos alimentos. Escolher o que vamos comer é escolher o que seremos. Nossa saúde depende
dessa escolha. O mesmo acontece com nossa vida intelectual. O cérebro é o lugar onde as ideias são metabolizadas. Ideias estão diretamente ligadas ao contexto das palavras. São elas que entrarão em nossa vida. São elas que nortearão o que somos e o que seremos.
Sei que você sabe disso, mas é bom repetir. Uma boa reflexão pode mudar o rumo de uma vida. Vejo isso o tempo todo. As pessoas erram muito porque refletem pouco. Sofrem muito porque não administram de um jeito certo as causas que as fazem sofrer. Escolhem errado, vivem errado, amam errado. Tudo porque faltou reflexão. Muitos erros são gestados e mantidos a partir de atitudes irrefletidas, meu caro amigo. Por isso eu creio firmemente que a
religião que praticamos só pode ser benéfica se nos fizer refletir. Caso contrário é alienação, esquecimento da realidade.A vida humana é um território onde prevalecem muitas contradições. Sempre foi assim. Faz parte de nossa condição. É estatuto que trazemos na carne. Somos contraditórios. Essa contradição nos atinge o tempo todo. Você enumerou vários sofrimentos que nascem dessas contradições. Como pode um ser humano se sentir no direito de esquartejar o outro? Mistérios da contradição. É nessa hora que entra a força transformadora da reflexão. Uma sociedade só poderá evoluir culturalmente à medida que refletir a cultura que possui.
É estranho, mas há muitos comportamentos e tradições que são mantidos sem que suas causas sejam conhecidas. Tive contato com uma história assim lá no interior de Minas Gerais.
Havia uma família que tinha uma receita muito saborosa para o preparo de um peixe típico daquela região. A tradição já havia atingido a terceira geração. O fato interessante é que o peixe era sempre assado sem a cabeça. Ninguém nunca havia se questionado sobre o fato. Quem o fez foi uma das meninas, que pertencia à terceira geração. Ao ser perguntada sobre a razão de o peixe ser assado sem a cabeça, a mãe da menina disse não saber. A resposta foi simples. Sua avó me ensinou a assar assim. A menina, por sua vez, resolveu ir fundo na investigação. A avó respondeu da mesma forma. Aprendi com sua bisavó. Tendo a oportunidade de perguntar o motivo à bisavó, a menina finalmente resolveu o enigma do peixe sem cabeça. Não há razão alguma – disse a velha senhora. É que, no tabuleiro que eu tinha, o peixe nunca cabia
inteiro.
Acho interessante essa história. Nem sempre a manutenção de uma tradição está amparada em motivos consistentes.
O tempo passou, os tabuleiros cresceram, mas os peixes continuaram sendo assados sem as cabeças.
Gabriel, muita coisa seria diferente se pudéssemos retomar os encantos da ágora. As pessoas seriam mais felizes, mais equilibradas, mais justas se estivessem mais dispostas à reflexão.
A vida ganha novo sentido cada vez que uma boa palavra vem iluminar as varandas da nossa mente. Uma boa palavra é como um bom alimento. Traz saúde.
Obrigado pela saúde que suas palavras me trouxeram. Volte sempre. Ficarei por aqui, enquanto faço essa boa digestão emocional.Com meu carinho e bênção,

Pe. Fábio de Melo

FILHO DO CÉU

Trecho do show do padre Fábio de Melo em Perdões - MG no ultimo dia 05 de Maio.Somos felizes pelo sim deste sacerdote!!!



 

FILHO DO CÉU


Esse jeito esquisito que Jesus tinha, de preferir os piores, né?
Me faz pensar, sabe gente, na beleza dos avessos: às vezes, a gente na pressa de encontrar, agente não vê. Quantas vezes na minha vida eu desprezei as pessoas, porque eu considerei o agora. É tão doído né, a gente ser visto somente a partir do presente. Quando as pessoas olham pra gente e só enxergam aquilo que a gente tem no momento.
Isso é fascinante em Jesus, por isso ele era capaz de preferir quem ele preferia. Porque Jesus não era um homem que se prendia no presente. Eu acredito e acho interessante isso: que os amantes nunca esgotam as criaturas amadas, porque o amor sobrevive de futuro, né? Ele consegue enxergar o que agente ainda não viu, a pessoa que ama consegue enxergar o que outro ainda não é, vê o avesso, vê o contrário da situação.
É tão bonito agente pensar que a beleza do tecido tem um sustento, uma trama está por trás de tudo isso, compreender as pessoas, amá-las, só é possível a partir do momento que agente entra na trama do avesso, quando a gente não enxerga somente aquilo que os olhos podem revelar, podem conhecer, mas, sobretudo, aquilo que ainda está oculto.
Deus nos ama assim, porque consegue enxergar o que agente ainda não é, mas que agente ainda pode ser...
Só quem já provou a dor Quem sofreu, se amargurou Viu a cruz e a vida em tons reais Quem no certo procurou Mas no errado se perdeu precisou saber recomeçar Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar Porque encontrou na derrota algum motivo para lutar E assim viu no outono a primavera Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer Que o verso tem reverso Que o direito tem o avesso Que o de graça tem seu preço Que a vida tem contrários E a saudade é um lugar Que só chega quem amou E o ódio é uma forma tão estranha de amar Que o perto tem distâncias E o esquerdo tem direito Que a resposta tem pergunta E o problema solução E que o amor começa aqui No contrário que há em mim E a sombra só existe quando brilha alguma luz. Só quem soube duvidar Pôde enfim acreditar Viu sem ver e amou sem aprisionar Quem no pouco se encontrou Aprendeu multiplicar Descobriu o dom de eternizar Só quem perdoou na vida sabe o que é amar Porque aprendeu que o amor só é amor Se já provou alguma dor E assim viu grandeza na miséria Descobriu que é no limite Que o amor pode nascer

 

FILHO DO CÉU - Opeso que a gente leva

O peso que a gente leva..
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?


Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.
fabiodemelo.com.br

FILHO DO CÉU - Especial 3 anos do Blog site

Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores... Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.

Cuidado com os amores passageiros... eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam...


Cuidado com os invasores do seu corpo... eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem...


Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...


Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade...


Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.

Não tenha medo de se olhar no espelho. É no rosto que você tem, que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.

Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.


Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.


Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente, e veja o que ainda pode ser feito...


A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem..."


Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.


Deus resolveu reformar o mundo, e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.


Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem sou eu pra duvidar... 

 
Padre Fabio de Melo

FILHO DO CÉU - "Maria mulher de Aço e de Flores"


Nesta Pregação, Padre Fábio de Melo, vai nos dizer, que a mulher, assim como Maria a mãe de Jesus, ela precisa ser fonte de referência para toda a família, pois se uma famíla tem a mãe como ponto de desequilibrio, a família está correndo o risco de ter um fim triste, mas se a mulher é um referêncial, a casa está alicerçada, assim como Maria preparou Jesus para ser o que ele é para nós, nos dias de hoje.

A festa de hoje liga o céu e a terra, porque festejar Nossa Senhora é celebrar o humano elevado ao divino.

Maria foi a mulher de José, mulher da família, mas também mulher de Deus. A mulher carrega em si o dom de ser como Deus em pequenas medidas. Jesus ficou nove meses no ventre, foi amamentado, amado por Maria, foi humano. A Santíssima Virgem passou por muitos desafios naquela época, mas resistiu.

Nossa Senhora precisou ter os olhos fixos em Deus para ser fiel à missão dada a Ela. Mulher, se você olhar para você, para a potência que você tem de alimentar e conduzir uma casa, se você se espelhar em Maria, sendo fiel às coisas simples e tendo os olhos fixos em Jesus, tudo será diferente.

Há em você, mulher, uma sacralidade que dia após dia você precisa reconhecer. Mulheres, não negligenciem o dom de sua feminilidade! A mulher tem poder de costurar o mundo, assim como no passado entrelaçavam as linhas, faziam tudo que era artesanal. Você precisa ser artesã para "costurar" o mundo.

Quando temos um problema com o pai, tudo continua em pé, mas se a mãe se entrega, dificilmente o lar fica em pé. A mulher é capaz de suportar um pouco mais que a gente. As mulheres mensalmente sentem dor, sangram (ciclo menstrual). Se fosse eu quem sangrasse, todos os meses iria ao hospital. Tenho pavor de sangue!

Mulher, aquilo que você tem é dom de Deus para você ser igual a Virgem Maria. Maria honrou a sua missão de educar o Filho de Deus. Ela foi pedagoga. Se Jesus foi capaz de subir ao calvário, foi porque Ela O educou para ser corajoso. A Santíssima Virgem não foi uma mãe histérica. Até mesmo na hora do seu Filho morrer, Ela estava presente com um olhar discreto.

'A mulher carrega em si o dom de ser como Deus em pequenas medidas.' A mulher tem a sensibilidade. É mulher de aço, é mulher de flor. Não podemos anunciar Jesus só pela justiça, mas pela misericórdia. Só
paramos em pé se estamos em equilíbrio. Onde está o seu equilíbrio, mulher? Não seja relaxada! Mãe, seja o equilíbrio, seja mãe de um jeito certo, seja esposa com os dois pés, equilibrada - nem na omissão nem querendo mandar em tudo.

Seu marido não pode ser empecilho para você subir ao céu. Não substitua a leveza de Maria, a leveza de mulher. Não permita que este modelo de mulher da sociedade a influencie. Que seu modelo seja d'Aquela que subiu ao céu. E você, homem, marido, segure na mão desta mulher, porque se ela subir você sobe junto.